Centro Cultural da Paulicéia


Um brinde à boemia

 

“A Boemia está morta.”, sentencia o antagonista da trama. Quase que imediatamente, os integrantes do grupo heróico de Os Boêmios, sentados em uma grande mesa de um bar descolado de Nova York, começam um número que simula o funeral da boemia, e emenda a empolgante “La Vie Boheme”, quase uma ode à vida desregrada, à revolução bem-humorada, à transgressão, à boemia.

Rent – Os Boêmios, em cartaz em São Paulo, leva o espectador para o ano de 1989. Um grupo de artistas boêmios, a maioria deles vitimados pela AIDS, tenta sobreviver de maneira bem-humorada e, claro, abusa de ritmos e cores, como em todo filme do gênero. A fórmula é aquela velha conhecida sátira do problema alheio. Mas com um toque de sensibilidade no lugar certo.

Trata-se de uma adaptação de um espetáculo homônimo da Brodway de 1996, que, por sua vez, é versão de uma ópera de Giacomo Puccini, La Bohème. Quase todo o elenco da montagem original se reúne para contar uma história recheada de músicas inspiradas, números bastante teatrais e vozes muito potentes. Aliás, é no quesito atuação que esta fita merece créditos. Os atores, com destaque para Anthonny Rapp (o intérprete de Mark), fazem do roteiro um grande filme.

O diretor não parece ter ajudado muito. Chris Columbus nunca havia dirigido um musical. São de sua autoria, por exemplo, Esqueceram de mim, O Homem Bicentenário e Harry Potter e a Pedra Filosofal. Digamos que ele não seja um dos diretores mais inspirados de Hollywood.  Esse detalhe compromete, e muito, o filme.

Antes da indicação de Chris para o cargo, foram cogitados nomes como os de Sam Mendes (Beleza Americana), Rob Marshall (Chicago) e Baz Luhrmann (Moulin Rouge – Amor em Vermelho). Provavelmente foi a escolha equivocada que levou Rent ao fracasso da estréia. Nos Estados Unidos, o filme não conseguiu sequer pagar seu próprio custo de produção. No Brasil, por diversos fatores (aí incluída a estréia de X-Men III no mesmo final de semana), Rent estreou mal. Em São Paulo, apenas 4 salas de cinema exibem a fita.

Um outro problema do filme é o anacronismo. Os Boêmios trata de temas que eram polêmicos há uma década atrás, mas que hoje levam o espectador a sentir esse vazio temporal entre as duas realidades.

Columbus levou a sério demais o roteiro da peça e estendeu-se em duas horas e quinze minutos, para contar uma história que pedia bem menos. Algumas cenas são repetitivas e diálogos cantados poderiam ter sido cortados sem prejuízo algum. 

Comédia, suspense, romance, todos os tipos de cinema têm espectadores que transitam de um gênero para outro. Com musicais é diferente: tem que gostar muito para assistir. O típico espectador de musical vibra com Rent . Mas só ele.



Escrito por Vanessa às 15h30
[   ] [ envie esta mensagem ]




“Clube da Lua” mostra, de forma sutil, as conseqüências da crise argentina nas relações humanas

 

Os tangos sensuais embalam ardentes namorados. Os jogos típicos e os ritmos latinos davam momentos de prazer e confraternização a crianças e adultos. O salão, sempre lotado, imprimia vida a uma época que em quase nada lembra a atual Argentina. Os anos 60 foram memoráveis e simbólicos. Representam para o país a grandiosidade que foi perdida com a crise econômica dos primeiros anos desta década.

Está aí a beleza de “Clube da Lua” (Luna de Avellaneda - Argentina/Espanha, 2004), em cartaz nos cinemas. O filme conta, com sutileza e  graça, umas das muitas histórias originadas com a crise argentina, mas que apenas nos é mostrada por meio dos índices econômicos.

A nova parceria entre o diretor Juan José Campanella e o ator Ricardo Darín - que já tinham trabalhado juntos em “O Filho da Noiva” - , por meio de um pequeno grupo de pessoas do subúrbio metropolitano portenho,  humaniza as conseqüências dessa  crise  enfatizando o seu impacto no cotidiano dos argentinos, mas sem se deixar cair no melodrama nacionalista.

O filme desenha a trajetória de um clube social e esportivo da periferia de Buenos Aires, onde o taxista Román, interpretado por Ricardo Darín, nasceu e passou a maior parte de suas horas vagas. Em seus tempos áureos,  o estabelecimento chegou a ostentar oito mil sócios, mas, atualmente, apenas 300 associados mantêm as atividades do Clube de Avellaneda.

Não bastasse a dor da decadência, a diretoria descobriu que devia à Prefeitura cerca de dez vezes a sua receita anual e que teria que vender o clube para transformá-lo num cassino se quisesse se livrar das dívidas. Em suma, o roteiro não ajudava muito, tinha tudo para ser um clássico do dramalhão.

No entanto, o que salva a produção é o foco. Campanella prefere se aprofundar nos personagens e instigar uma curiosidade saborosa pelo ser humano a encher seu filme de clichês - embora não resista a alguns. Mantém como pano de fundo as conseqüências de uma conjuntura econômica em frangalhos, mas se dedica a fazer uma investigação minuciosa das reações que ela produziu nas pessoas.

Ricardo Darín e Eduardo Blanco, no papel de  Amadeu são, nesse sentido, os produtores principais de uma mensagem sensível e mais humana. Blanco tem uma participação brilhante, fundamentada em seu talento inegável de ator, e na direção do filme, o tempo todo atenta para os sentimentos complexos, como amor e dedicação...

“Clube da Lua” reúne, em duas horas e meia de filme, história e desaprovação políticas, humor inteligente, atores de ótimo nível e uma direção inspirada. Juan Campanella ganharia pontos se investisse mais em sua criatividade e trabalhasse em seus roteiros eliminando a idéia de que alguns lugares-comuns são garantia de salas lotadas.



Escrito por Vanessa às 15h41
[   ] [ envie esta mensagem ]




Filosofia sutil.

Código 46 é exatamente o tipo de filme que eu estava esperando. Sabia que essa ficção científica existia, mas ainda não a tinha encontrado. Filmado por Michael Winterbottom em 2003, esse thriller inglês superou todas as minhas expectativas. Começando pela dupla de atore principais que parecem ter se encontrado no momento mais sublime de suas carreiras. Tim Robbins e Samantha Morton são de uma sutileza e beleza ideais em uma interpretação para cinema.

Li recentemente uma crítica que aponta como um de seus únicos defeitos a falta de didática. Na minha opinião, essa é uma das suas maiores qualidades. Código 46 se passa em mundo por vir, sem exagerar na temática futurista e sem ostentá-la todo o tempo. Muitos dos conceitos que fazem parte da história só serão claramente explicados lá pela metade do filme.

Resultado: praticamente a perfeição. Winterbottom conta a história de uma garota de Xangai que, todos os anos, no dia de seu aniversário, tem o mesmo sonho. Ela está em um trem e precisa chegar ao final da linha. Mas a cada ano falta uma estação a menos. No ano em que chegará ao final de sua jornada, ela conhece William, um funcionário do governo que muda sua vida. O roteiro levanta uma questão já fabricada, mas de maneira reiventada: quem planeja o nosso destino? Somos nós que o construímos?

O desenrolar dessa história é cheio de sutilezas, cenas belíssimas e atuações iluminadas. Finalmente uma ficção científica que honra o título de 7º arte e abre mão de todos os clichês possíveis (tanto em ficção como romance) para contar uma história que prima pela sensação sem sentimentalismos. Seu maior trunfo é mesmo seu maior paradoxo: sutileza à flor da pele.



Escrito por Vanessa às 11h35
[   ] [ envie esta mensagem ]




Walk The Line - O Talento de Uma História

 

Johnny e June (Walk The Line, Estados Unidos – 2005) é um belo filme, uma bela biografia. Nada mais do que isso. O mote da fita, a razão de tanto sucesso nos Estados Unidos, parece ser a combinação explosiva de uma das grandes promessas do cinema americano, Reese Whiterspoon, com um surpreendente ator que andava nas sombras da coadjuvação, Joaquin Phoenix. E um excelente roteiro, claro.

John Cash foi nada menos do que um dos maiores nomes da música internacional e o maior cantor de música country de seu país. Um gênero que os americanos ostentam com orgulho de folclore nacional. Cash tem uma história de vida pulsante, cheia de altos e baixos e marcada pela paixão inerente que tomou conta da sua vida quando conheceu June Carter (a excelente, divina e talentosíssima, Reese). Quanto a Phoenix, faz um ótimo trabalho como cantor, mas não abandona a tradição de negar talento.

Do Oscar mesmo, Walk The Lines só teria direito a uma minguada indicação de trilha sonora, fora a premiação de Reese, já dada como certa por alguns críticos. O valor deste filme está muito mais no orgulho nacional que o americano tem de uma figura como John (merecidamente, diga-se de passagem).

Walk The Line vale a pena por ser emocionante, cativante e expressivo, qualidades que o cinema americano tem de sobra. Falta direção, talvez porque James Mangold confiasse demais no roteiro e na dupla de atores. Mas, indubitavelmente, o espectador do filme sai da sala de cinema com a certeza de que faltou alguma coisa. O filme promete, mas nunca cumpre.



Escrito por Vanessa às 18h34
[   ] [ envie esta mensagem ]




De teatros e exposições

Vamos às dicas culturais desta semana (por mais hilária que essa frase pareça ser). Como a primeira parte das minhas férias chegou, tive tempo de prestigiar algunas eventos que me interessavam, mas podia ter feito muito mais. Essa cidade chuvosa me desanimou um pouco.

Cubo - Teatro Popular do Sesi: Esse espetáculo de dança está no final de sua temporada (até dia 4). Já não é de hoje minha intenção de assistí-lo, e esta semana finalmente arranjei tempo pra enfrentar as filas tão conhecidas da Fiesp. Mas valeu a pena: uma hora de dança ao som das músicas de Zeca Balero e acompanhados das projeções de Fernando Meirelles (que, não é nenhum segredo, é um dos meus cineastas mais bajulados) faz qualquer espectador delirar. Sensível, bem produzido e tecnicamente engrandecedor. Destaque para a cena intermediária do Personal Trainer argentino: hilário!

Preso na Rede - Teatro Popular do Sesi: O teatro se populariza através da comédia. É triste para uma atriz admitir isso, mas é verdade. Diante de tantas funções catárticas, revolucionárias e mobilizadores, o teatro só consegue conquistar massas quando diverte. Mas essa comédia protagonizada por Flávio Galvão e Francarlos Reis é maravilhosa. Eu já havia visto este último nos palcos algumas vezes e não tinha dúvidas: ele é o máximo! Mas Flávio Galvão foi uma grande e deliciosa surpresa pra mim. Recomendo a quem quiser passar horas engraçadíssimas na companhia de grandes atores.

Erotica: Os Sentidos na Arte - Centro Cultural Banco do Brasil: Eu sou fã da curadoria do Banco do Brasil há algum tempo. As últimas 3 ou 4 exposições deles foram um show. Esta não está tão bem elaborada quanto "Antes: A História da Pré-História", em cartaz até agosto deste ano, mas não deixa nada a desejar. O tratamento do sexo nas artes plásticas é abordado de ângulos diferenciados e com bastante senso estético. A mostra não pretende cumprir uma cronologia ou delimitar as linhas de uma determinada tendência, mas serve pra elucidar o que o ser humano sente, ou sabe expressar, com relação aos seus instintos.

Henfil do Brasil - Centro Cultural Banco do Brasil: A mostra pretende traçar um panorama da carreira deste grande cartunista brasileiro através da exposição dos originais de sua obra, colhidos na coleção de seu filho. As tiras são muitas e as explicações um pouco cansativas. Mas para quem gosta do estilo hilário de Henfil é um prato cheio! Matéria prima para horas de lazer e gargalhadas com o sarcasmo de personagens históricos como Os Fradins, Zeferino, Graúna e (o meu preferido) Orelhão. Jornalistas de plantão: não percam por nada. Oportunidade única de ver grande parte da obra do fundador de O Pasquim, maior publicação alternativa do período da ditadura, reunida de maneira tão representativa. Combate e luta social até o último traço, sem deixar de carregar no bom-humor.

Instrumentos Musicais da China - Centro Cultural da Caixa: Essa eu juro que achei por acaso. Minha missão neste dia era comprar um chapéu e ver o que estava rolando lá na Caixa. Ainda bem! Eu adorei. Essa exposição é altamente recomendável para quem se interessa pelo mundo oriental e quer ver algo mais do que dragões e lanternas japonesas. O clima é muito gostoso, como qualquer coisa que se faça naquele prédio antigo no meio da Praça da Sé. E os sons e instrumentos descobertos naquela sala são um mundo à parte.

Por enquanto é isso. Mas os planos para a próxima semana prometem Teatro Fábrica São Paulo, Itaú Cultural, Pinacoteca e o meu querido Museu de Arte Moderna! Até a próxima vez que eu me animar pra escrever um post desse tamanho (e que alguém se animar pra ler).



Escrito por Vanessa às 18h14
[   ] [ envie esta mensagem ]




Metáforas da realidade

Existe uma teoria bem difundida com relação a estudos de cinema que diz que nenhum filme mostra com realismo a época que ele pretende retratar. Ele mostra uma visão contemporânea sobre aquela época. É por isso que filmes como Titanic (1997) não mostram o que aconteceu em 1912, mas a visão americana da década de 90 sobre aquela época.

Ótimo. Mas e os filmes de ficção científica? Estes são nada mais do que metáforas da realidade. Analisar a trajetória deles durante a história do cinema a partir da década de 50, quando borbulhavam nas telas, é muito interessante. O final da 2ª Guerra Mundial e o começo da Guerra Fria refletiram-se no cinema de maneira indubitável. Nos anos 50 e 60, por exemplo, as fitas de ficção científica resumiam-se a pintar aberrações produzidas pela ciência em filmes como A Mosca (1954 - Kurt Neumann), ou fazer inteligentes alusões e metáforas sobre a Guerra como em Alphaville (1965 - Jean Luc Godard).

A ficção científica atual pode ser muito bem representada por filmes como A Ilha (Michael Bay) e A Guerra dos Mundos (Steven Spielberg), ambos lançados no último ano. A Ilha é um filme de ficção que se propõe a tratar de possibilidades reais. O roteiro inclui um laboratório especializado na produção de clones para finalidades terapêuticas, chamados de "apólices de seguro". Se você está doente e precisa de um transplante, encomende um clone seu! Ritmo bom, atuação surpreendente de Ewan McGregor, em dois papéis, e trama instigante. Além de, é claro, a pontada habitual na consciência dos defensores da ciência.

A Guerra dos Mundos é um caso à parte. Tinha tudo para ser um clássico, daqueles de assistir várias vezes com baldes e mais baldes de pipoca. Mais Spielberg resolveu ser mais Spielberg do que nunca. O resultado foi uma cópia insossa de Sinais (péssimo!). O roteiro ficou famoso por uma lendária brincadeira de Orson Welles em outubro de 1938, em que ele leu o livro homônimo do escritor H. G. Wells no rádio, apavorando milhões de americanos, que acreditaram que a Terra estava mesmo sendo invadida por alienígenas. Ultrapassou os limites da ficção científica.

A Guerra dos Mundos de Steven e Cruise é apenas uma desculpa para milhares de mensagens sobre o lugar do exército americano no mundo, o papel dos terroristas e o sentimento dos americanos nisso tudo. Todos os detalhes acrescentados no roteiro dizem respeito a isso. Pra piorar, temos a garota-prodígio Dakota Faining (O Amigo Oculto) em mais uma perfomance irritante e sem-graça. Ao sair do cinema, o alívio toma conta dos espectadores. Paramos de ouvir os gritos estridentes de Dakota e nos livramos da arrogância de seu diretor: Spielberg acredita que só seu nome basta. Pura ficção...



Escrito por Vanessa às 15h24
[   ] [ envie esta mensagem ]




O Senhor das Armas

O novo filme de Nicolas Cage me deu um tapa na cara. De verdade. Até então eu adimirava esse ator americano como um grande produtor de romances e sonhos romanceados. Claro exemplo temos em "Cidade dos Anjos" e "Um Homem de Família". Este último, aliás, é uma das minhas tradições de Natal. Essencial quando as luzinhas começam a aparecer na rua. Em "Senhor das Armas" (2005), nada melhor do que a atuação de Cage. Visceral, do começo ao fim.

O filme conta a história de Yuri Orlov, um traficante internacional de armas que faz uma carreira brilhante sem experiência no ramo, mas com muito talento para os negócios. Filho de uma família média de imigrantes ucranianos, ele se torna um milionário através de suas atividades ilegais. Sua esposa, Ava (Bridget Moynahan), não sabe de suas transações, nem de sua sociedade com Vitaly (Jared Leto, ótimo!), irmão de Orlov.

O grande mérito do diretor Andrew Niccol (roteirista da obra-prima, em todos os sentidos, "O Show De Truman") é o descontrole que ele imprime à trama a partir daí. O que era um meio de ganhar a vida vira uma necessidade básica. Vitaly se vicia em cocaína, e Yuri em massacres. Se antes a utilidade das armas que ele vendia já não importava, ao longo da trama são denotadas as consequências desta amibição desenfreada.

Apesar de construir um impressionante retrato da indústria bélica no mundo, vale lembrar que o filme é hollywoodiano e, portanto, sem coragem de dar a cara pra bater e pintar a cena da apologia norte-americana ao armamentismo. Meu conselho é o mesmo que poderia ser dado para "O Show de Truman": leia nas entrelinhas.



Escrito por Vanessa às 19h30
[   ] [ envie esta mensagem ]




Da cultura pop..

Prometi ser pop. Pronto, aqui vai. Um panorama geral sobre o mais popular dos cinemas (no sentido massificador da coisa): Harry Potter.

A série da escritora inglesa mais vendida do mundo, J.K. Howling, sempre vai ser um sucesso em se tratando de literatura. Não por que ela escreva bem. Não é de todo mal, mas o que realmente chama a atenção no conjunto de suas 6 obras é a capacidade inventiva da autora. Criar um mundo de bruxos pode parecer fácil pra quem gosta de brincar com alguns significados e preceitos sociais, mas Howling foi muito além da brincadeira. Ela criou um mundo convincente, de uma coerência absurda imersa em fantasias deliciosas. Paradoxo digno de uma brilhante escritora. Cada livro é uma enxurrada de novas descobertas, repleta de emoções e mistérios, vinculados é claro ao apelo emocional que um menino sem os pais, e vivendo em um mundo estranho, pode provocar nas crianças e adolescentes de todo o mundo.

A dificuldade está em transpor tudo isso para a tela. Até agora, nenhum diretor conseguiu realizar a façanha duas vezes. E já estamos no quarto filme, com previsão de estréia mundial para dia 25 de novembro. Mas o mais bem-sucedido deles foi, com toda certeza, Alfonso Cuarón, diretor de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban", o terceiro da série. Antes dele, os também ótimos Chris Columbus e David Heyman, dos primeiros dois filmes, pecaram pelo excesso de didática e pela história forçada de seus roteiros, respectivamente.

Cuarón transformou o terceiro livro em uma história tão assustadora, emocionante e mágica quanto poderia ter sido. Um quê de pesadelo paira sobre a fita do começo até a sequência final. O problema está agora nas mãos de Mike Newell, que comanda o "Cálice de Fogo". O quarto livro é o mais popular entre os fãs, além de ter a mais emocionante das histórias, prato cheio para um bom diretor, ou fim de carreira para Mike, se este não souber aproveitar a chance que poucos tiveram o privilégio de ter. Alguns trailers já nos dão uma prévia do que andou acontecendo nos estúdios neste último ano e meio. Mas o destino de Newell só saberemos no dia 25.



Escrito por Vanessa às 08h36
[   ] [ envie esta mensagem ]




Como poucos

Abrindo a seleção de comentários cinematográficos deste blog, um pequeno texto sobre Cidade de Deus, um dos filmes braisleiros mais bem feitos. E aproveitando para preparar o terreno para O Jardineiro Fiel, o novo filme de Meirelles, que estreou ontem nos circuitos do país. E que com certeza será citado por aqui.

"Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça não foram suficientes. Fernando Meirelles queria mais. Filmar um dos mais recorridos temas do cinema brasileiro - a violência nas favelas - é uma tarefa difícil. Difícil por ser clichê, por não poder ser clichê, e por que extrapola os limites da curiosidade brasileira. Queremos saber porque isso acontece. Precisamos saber. Mas estamos cansados de respostas fáceis, bem digeridas.

Cidade de Deus é um tapa na cara. O filme é conduzido durante 120 minutos por atores não-profissionais que não seguiam um roteiro pré-estabelecido. E mesmo assim dá certo. Meirelles dá certo por ser de uma didática impressionante. Já que não entendemos de outro jeito, que seja assim. Tantos já tentaram explicar que o mundo nas favelas brasileiras não é lá aquelas coisas. Mas ainda somos fascinados pelo mito do anti-herói. E seguíamos assim, até 2002. Romanceando histórias e simplificando estruturas socias mais complexas do que poderíamos imaginar. E as indicações para o Oscar são um reconhecimento mais do que merecido para uma análise chocante do que nós realmente somos. "O homem é um animal, positivamente."

É. Ser Fernando Meirelles não é pra qualquer um.



Escrito por Vanessa às 18h47
[   ] [ envie esta mensagem ]




Começando

Inauguro aqui o meu blog com críticas sobre a cena cultural do país e do mundo. Críticas de produtos culturais merecedores de algum crédito. Um bom começo para uma jornalista cultural mostrar a que veio.

Cultura pra quem quer, texto pra quem lê, vida pra quem sonha. Construindo imagens com palavras e criticando a cena cultural contemporânea. Da cultura pop até onde meus conhecimentos me permitirem chegar.



Escrito por Vanessa às 18h26
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM LONDRINA, Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Cinema e vídeo
MSN - vana_medeiros@hotmail.com
Histórico
  03/09/2006 a 09/09/2006
  09/04/2006 a 15/04/2006
  12/02/2006 a 18/02/2006
  27/11/2005 a 03/12/2005
  13/11/2005 a 19/11/2005
  23/10/2005 a 29/10/2005
  16/10/2005 a 22/10/2005
  09/10/2005 a 15/10/2005


Outros sites
  Alquimia do verbo
  Cine click
  Cinema em cena
  Da arte de se fazer arte
  Teatro chik
  Vida En-Cena
  Vida En-Fotos
Votação
  Dê uma nota para meu blog