Como poucos
Abrindo a seleção de comentários cinematográficos deste blog, um pequeno texto sobre Cidade de Deus, um dos filmes braisleiros mais bem feitos. E aproveitando para preparar o terreno para O Jardineiro Fiel, o novo filme de Meirelles, que estreou ontem nos circuitos do país. E que com certeza será citado por aqui.
"Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça não foram suficientes. Fernando Meirelles queria mais. Filmar um dos mais recorridos temas do cinema brasileiro - a violência nas favelas - é uma tarefa difícil. Difícil por ser clichê, por não poder ser clichê, e por que extrapola os limites da curiosidade brasileira. Queremos saber porque isso acontece. Precisamos saber. Mas estamos cansados de respostas fáceis, bem digeridas.
Cidade de Deus é um tapa na cara. O filme é conduzido durante 120 minutos por atores não-profissionais que não seguiam um roteiro pré-estabelecido. E mesmo assim dá certo. Meirelles dá certo por ser de uma didática impressionante. Já que não entendemos de outro jeito, que seja assim. Tantos já tentaram explicar que o mundo nas favelas brasileiras não é lá aquelas coisas. Mas ainda somos fascinados pelo mito do anti-herói. E seguíamos assim, até 2002. Romanceando histórias e simplificando estruturas socias mais complexas do que poderíamos imaginar. E as indicações para o Oscar são um reconhecimento mais do que merecido para uma análise chocante do que nós realmente somos. "O homem é um animal, positivamente."
É. Ser Fernando Meirelles não é pra qualquer um.
Escrito por Vanessa às 18h47
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