Centro Cultural da Paulicéia


Filosofia sutil.

Código 46 é exatamente o tipo de filme que eu estava esperando. Sabia que essa ficção científica existia, mas ainda não a tinha encontrado. Filmado por Michael Winterbottom em 2003, esse thriller inglês superou todas as minhas expectativas. Começando pela dupla de atore principais que parecem ter se encontrado no momento mais sublime de suas carreiras. Tim Robbins e Samantha Morton são de uma sutileza e beleza ideais em uma interpretação para cinema.

Li recentemente uma crítica que aponta como um de seus únicos defeitos a falta de didática. Na minha opinião, essa é uma das suas maiores qualidades. Código 46 se passa em mundo por vir, sem exagerar na temática futurista e sem ostentá-la todo o tempo. Muitos dos conceitos que fazem parte da história só serão claramente explicados lá pela metade do filme.

Resultado: praticamente a perfeição. Winterbottom conta a história de uma garota de Xangai que, todos os anos, no dia de seu aniversário, tem o mesmo sonho. Ela está em um trem e precisa chegar ao final da linha. Mas a cada ano falta uma estação a menos. No ano em que chegará ao final de sua jornada, ela conhece William, um funcionário do governo que muda sua vida. O roteiro levanta uma questão já fabricada, mas de maneira reiventada: quem planeja o nosso destino? Somos nós que o construímos?

O desenrolar dessa história é cheio de sutilezas, cenas belíssimas e atuações iluminadas. Finalmente uma ficção científica que honra o título de 7º arte e abre mão de todos os clichês possíveis (tanto em ficção como romance) para contar uma história que prima pela sensação sem sentimentalismos. Seu maior trunfo é mesmo seu maior paradoxo: sutileza à flor da pele.



Escrito por Vanessa às 11h35
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Walk The Line - O Talento de Uma História

 

Johnny e June (Walk The Line, Estados Unidos – 2005) é um belo filme, uma bela biografia. Nada mais do que isso. O mote da fita, a razão de tanto sucesso nos Estados Unidos, parece ser a combinação explosiva de uma das grandes promessas do cinema americano, Reese Whiterspoon, com um surpreendente ator que andava nas sombras da coadjuvação, Joaquin Phoenix. E um excelente roteiro, claro.

John Cash foi nada menos do que um dos maiores nomes da música internacional e o maior cantor de música country de seu país. Um gênero que os americanos ostentam com orgulho de folclore nacional. Cash tem uma história de vida pulsante, cheia de altos e baixos e marcada pela paixão inerente que tomou conta da sua vida quando conheceu June Carter (a excelente, divina e talentosíssima, Reese). Quanto a Phoenix, faz um ótimo trabalho como cantor, mas não abandona a tradição de negar talento.

Do Oscar mesmo, Walk The Lines só teria direito a uma minguada indicação de trilha sonora, fora a premiação de Reese, já dada como certa por alguns críticos. O valor deste filme está muito mais no orgulho nacional que o americano tem de uma figura como John (merecidamente, diga-se de passagem).

Walk The Line vale a pena por ser emocionante, cativante e expressivo, qualidades que o cinema americano tem de sobra. Falta direção, talvez porque James Mangold confiasse demais no roteiro e na dupla de atores. Mas, indubitavelmente, o espectador do filme sai da sala de cinema com a certeza de que faltou alguma coisa. O filme promete, mas nunca cumpre.



Escrito por Vanessa às 18h34
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